És tu aquele que haveria de vir?

"E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar" — Lucas 7.20-23

És tu aquele que haveria de vir?

Como alguém que contemplou os céus abertos, ouviu o Deus Pai bradando e o Espírito Santo repousando sobre Jesus poderia ter dúvidas se o Senhor era ou não o Cristo? 

A Bíblia não nos oferece respostas, não nos dá dicas, pois sua preocupação não está em nos fazer compreender a mente de João Batista. A dúvida, o questionamento, a incredulidade de um discípulo do Mestre nunca foi um problema.

Embora Jesus tenha lançado em rosto a incredulidade de Tomé, Ele não o reprovou, não o destituiu de seu chamado.

E, diante da pergunta de João Batista, o Senhor utiliza a mesma didática empregada com o discípulo duvidoso.

Havia uma expectativa no ar, o Messias prometido haveria de nascer e desenvolver seu ministério por aqueles tempos, em conformidade com a profecia de Daniel 7.

Mas será que Jesus, de fato, era o Cristo aguardado, ou será que Ele não era apenas mais um entre as dezenas de revolucionários que se levantaram naqueles dias?

Dada a seriedade da questão é de se esperar que alguém questione se, realmente, Jesus é verdadeiro ao ponto de devotar sua própria vida a Ele.

Se Cristo não é Aquele de quem os profetas falaram então não haveria sentido algum em segui-lo.

Mas se Ele é o Messias esperado então não há nada neste mundo valioso o suficiente que não possa ser abandonado, não há bens, amigos ou familiares importantes o bastante que possam impedir o discípulo de segui-lo.

Tomé não iria colocar sua vida em jogo baseando-se em algo que não fosse verdadeiro, João Batista não iria depositar sua fé em um falso messias e nós, cristãos do século XXI, não vamos devotar nossa existência em favor de um Cristo que não seja real.

A pergunta ainda está no ar. “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?”.

Diante de um futuro incerto na prisão, João Batista não perde tempo e se empenha em descobrir se aquele homem que havia batizado era o Cristo ou se ele poderia iniciar uma jornada em busca do Messias prometido.

Anunciai o que tem visto

A resposta de Jesus ao questionamento de João Batista é prática, Ele não o censura, mas lhe fornece as evidências necessárias para encontrar a resposta desejada.

Logo que recebe os questionamentos o Mestre realiza milagres e maravilhas (v. 21), mas não se trata apenas de uma validação de Seu ministério a partir de sinais sobrenaturais.

Cristo evoca uma passagem muito conhecida por aqueles que aguardavam o enviado de Deus. O Senhor Jesus retorna ao profeta Isaías, ao anúncio feito no capítulo trinta e cinco sobre um tempo em que o mundo se regozijaria com a glória manifesta do Senhor.

"Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão, então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará" — Isaías 35.5,6

Jesus responde a João Batista afirmando que o Reino esperado pelos judeus já havia se manifestado.

A memória da “voz que clama no deserto” é refrescada, Cristo o leva de volta aos profetas e de lá indica quais sinais ele deveria esperar encontrar no ministério do Messias.

A resposta de Jesus é consoladora, sua voz é mansa. As palavras que chegaram ao coração de João Batista se tornaram reconfortantes, “confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes [...] esforçai-vos e não temais” (Isaías 35.3,4).

Cristo poderia se debruçar sobre os compêndios teológicos, sobre as discussões filosóficas, mas Ele não o faz.

Não que o estudo intelectual das Escrituras seja desnecessário, pelo contrário. No entanto, o Senhor Jesus reconhece que o melhor remédio ao coração cambaleante não é uma carga de argumentos racionais, mas sim uma injeção de evidências práticas da manifestação de Seu Reino na Terra.

O Senhor toma a palavra e, ao invés de responder como os escribas e fariseus, Ele responde com poder e autoridade.

Ao cumprir a profecia de Isaías Cristo demonstra a João Batista que sim, Ele era o Messias aguardado por Israel.

Diante das incertezas de seus discípulos o Mestre lhes apresenta as evidências necessárias para que eles desenvolvam uma fé sólida em seu Senhor.

Cristo não matou a pouca fé de Tomé, mas transformou a dúvida de seu coração em louvor, como escreve o pastor Jonas Madureira:

"Quando Tomé expressou sua incredulidade, Jesus não o agrediu com um azorrague, pelo contrário, deu-lhe razões para continuar crendo. Depois disso, Tomé confessou e adorou a Cristo, dizendo: 'Tu és meu Senhor e meu Deus' (Jo 20.28). Lembre-se sempre disto: foi no contexto da dúvida que começou a adoração a Jesus. Cristo não só sabe transformar água em vinho, ele também sabe transformar nossas dúvidas em culto"

Assim como o Senhor revelou as marcas de seus pés e mãos ao discípulo incrédulo, Ele revela a João Batista o poder em ação do Reino de Deus prenunciado pelos profetas.

Bem-aventurados

Contudo, antes de despedir os discípulos de João, Cristo encerra afirmando “Bem-aventurado aquele que em mim se não escandalizar” (v. 23).

As evidências foram apresentadas, as profecias foram evocadas, mas de nada valeria se a resposta do coração não fosse motivada pela fé.

Os prodígios, as maravilhas, as marcas nas mãos e nos pés não seriam suficientes se o coração recebesse os indícios com escândalo.

Lucas nos apresenta, em seu registro sobre o questionamento de João Batista, uma divisão bem nítida em três blocos. 1) a dúvida é levantada (v. 20); 2) as evidências práticas e textuais são apresentadas (v. 21, 22) e, por fim, 3) Cristo deixa a questão em aberto para a resposta (v. 23).

Jesus oferece os elementos necessários, mas era no coração de João Batista que a fé deveria surgir como resposta.

Daqui procede o entendimento de que, ao coração duvidoso, argumentos racionais não auxiliará, pois ninguém chega ao conhecimento de Deus pela razão, mas somente pela fé.

Cristo oferece a Tomé e a João Batista as evidências necessárias e aguarda deles a resposta movida pela fé.

Considerações finais 

As Escrituras Sagradas estão repletas de homens que, diante da dúvida de seus corações, cambalearam na caminhada, mas encontraram repouso e descanso ao confiarem nas palavras do Eterno Deus.

Diante de nosso coração incrédulo e duvidoso o Mestre nos apresenta suas mãos e pés furados, nos consola com a realidade de Sua Pessoa e nos chama para sermos bem-aventurados em nossa fé nEle.

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